setembro 15, 2005

database imaginary

Database imaginary é o título de retrospectiva realizada pelo Banff Centre com trabalhos que exploram a estética do banco-de-dados (en, pt), segundo o texto curatorial um dos motores da cultura comptemporânea. O projeto do Banff reúne 33 artistas em uma "viagem imaginativa e subversiva". São trabalhos que "usam os bancos-de-dados para comentar seus usos e imaginar usos desconhecidos". O texto afirma, ainda, que o termo banco-de-dados só foi criado nos anos 1970, com a ascenção de formas prodecimentos automatizados em escritórios. Entre os trabalhos selecionados, encontram-se escultras em madeira, filmes, guias telefônicos e formatos visuais computadorizados, em seleção que questiona os conceitos de "autoria", agência", "participação da audiência", "controle" e "identidade".

Além dos trabalhos reunidos na curadoria do Banff, outros projetos importantes ára compreender as possibilidades estéticas dos bancos-de-dados são:

- Ex. Mech, do Bill Seaman (um texto que é organizado pelo eixo do paradigma, uma das características que Manovich relaciona com a Lógica do Banco-de-Dados _ aliás, ainda não abri os arquivos que você mandou, mas vou fazer isso em breve, agora que o semestre se encaminha)

- Things Spoken, da Agnes Hegedüs (um dos CD-ROMs mais legais que conheço, em que ela constrói um banco-de-dados a partir de elementos de sua memória afetiva... aqui vou trabalhar também em cima de um artigo que saiu na Parachute sobre a obra da Hegedüs e sua ligação com a questão da memória, um texto que desenvolve uma abordagem bastante ligada à psicanálise que me interessa por se contrapor ao modelo de redes neurais e outros mais próximas das ciências cognitivas)

- Ambient Machines, de Marc Lafia (http://www.ambientmachines.com), que é um estúdio de cinema experimental em que o usuário cria e edita pequenos filmes a partir do banco-de-dados criado pelo artista. Interessante além disso como é um exemplo de audiovisual que escapa do modelo de quadrados e retângulos a que as telas de TV e cinema nos acostumaram.

- Waxweb, de David Blair
http://www.interesting-people.org/archives/interesting-people/199504/msg00006.html

http://on1.zkm.de/netcondition/projects/project05/default_e

outros exemplos, que nem sempre usam a tecnologia do banco-de-dados. Apesar disso, são trabalhos que lidam com um volume razoável de informação. Um aspecto importante a ser observado é a forma com que os diversos tipos de interface se relacionam com os dados disponíveis em cada um dos trabalhos.

Portrait One (Luc Couchersne, 1994)
* interatividade como intersubjetividade
(outras obras que pesquisam o lugar do sujeito na arte contemporânea, por meio do desenvolvimento de interfaces que obrigam a participação do visitante de uma obra em seu “acontecimento”:
- Single Tape Corridor, de Bruce Nauman (1971)
- Reflexão 2, de Raquel Kogan (2005)

------------> Primeira forma de relacionamento entre uma base de dados e uma interface:a interface recupera os dados previamente gravados, por meio de decisões do usuário, ao interagir com um menu que leva a determinadas informações, sem que o seja possível o controle completo do conteúdo a ser acessado.

Focusing (Tamás Walicsky, 1998?)
------------> Segunda forma de relacionamento entre uma base de dados e uma interface: o usuário controla um dispositivo que, por meio de regras específicas (no caso a combinação entre foco e profundidade de campo da imagem), oferece acesso as informações previamente organizadas.


Things Spoken (Agnes Hegedus, 1999)
trabalho que lida com memória afetiva como forma de recuperar narrativas ligadas ä vida da artista, que esta organizada na forma de um banco-de-dados.
------------> Terceira forma de relacionamento entre a interface e o banco-de-dados (essa é mais comum de todas): o usário tem acesso a um conjunto de categorias e sub-categorias previamente organizadas, por meio de um menu.

Lover’s Leap (Miroslaw Rogala, 1994)
de todos os exemplos examinados até agora, este é o mais radical de todos (e o que menos se aproxima das formas mais tradicionais de organizar uma coleção de dados).

O trabalho é uma espécie de documentário fragmentado. Ele é composto de fragmentos de vídeo, e a ligação entre eles não fica clara, num primeiro momento.

A principal questão que interessa Rogala são os efeitos óticos que permitem representar as imagens de maneira mais realistas (na fotografia) e como a síntese digital de imagens permite fugir deste paradigma. Neste sentido, a pesquisa do artista está próxima de Tamás Walicsky (Focusing foi um dos exemplos da semana passada).

Lover’s Leap, segundo Timothy Druckery, “constrói imagens que propoe um desafio a historia objetiva da gemotria linear, baseada em projeções”. Rogala explora modelos de representação como formas reflexivas e analógicas, que não são eficazes no momento de representar o mundo real.


Antes do próximo exemplo, é preciso voltar ao texto de Lev Manovich para examinar o conceito de montagem espacial. O próximo trabalho, “Flora Petrinsularis”, de Jean-Louis Boissier, além de ser um banco-de-dados avant la lettre, permite que o usuário monte “espacialmente” os trechos de vídeo nele disponíveis, por meio do movimento do mouse.

Posted by marcusbastos at 08:13 PM